sábado, 2 de outubro de 2010

Maria Valentina


       Maria Valentina é uma camponesa de 16 anos que mora em um pequeno bosque, perto de um vilarejo; na Romênia. Ela tem os cabelos ondulados, negros e compridos; usa sempre vestidos simples de estampas alegres; que nos revela bem como ela é: uma menina meiga e feliz.
       MV – como é chamada por seus amigos - mora com sua avó Elizabete, numa casinha verde-limão, com portas e janelas azuis-anil e cortinas de bolinhas brancas. Do lado de fora, existe um lindo jardim de violetas, cultivado por ela mesma; que é uma excelente jardineira, pois tem o dom de compreender a natureza e o resto do mundo como ninguém.
       Ela é uma jovem sonhadora, que está sempre disposta a ajudar, porque sabe que sem solidariedade, não se pode chegar a lugar nenhum. Seu maior sonho é construir uma ONG que ajude a salvar o meio ambiente e as pessoas das ruas, para que elas possam se realizar como seres humanos e para elas terem uma vida digna.
       Apesar de Maria Valentina morar no campo, está sempre conectada ao mundo e às coisas boas e ruins que acontecem nele. Ela é uma garota muito sensível, ama a arte; principalmente as cênicas. Por isso acredita que é através da cultura e do conhecimento que o mundo vai se transformar em uma coisa completamente boa.
       Está sempre pronta para enfrentar o que vier, vive cada dia como se fosse o último e ama cada ser vivo à sua volta, porque acredita que tudo isso faz parte da sua existência e também porque sabe que “dessa passagem [o amor e] o conhecimento [são] a única bagagem levada”.
       Enfim, Maria Valentina é só mais uma adolescente de 16 anos, que, diferente de muitas outras, tem um propósito de amor e solidariedade para a sua vida.


E para quem acha que Maria Valentina é uma caipira do interior e sem conhecimento, está completamente enganado. Maria Valentina tem amigos, tem segredos, tem fraquezas, porque ninguém é perfeito, e até usa a internet.
Outro dia ela conheceu um garoto. E esse garoto mora no vilarejo que eu havia mencionado outro dia. Ela sentiu algo inesperado quando passou por ele numa pequena viela do lugar; sentiu que algo dentro de si tinha mudado, tinha se tornado mais espaçoso, mais incomum.
Porém, como já disse, Maria Valentina é só mais uma adolescente, que sente frio, sono e medo. E naquele momento, ao mesmo tempo em que sentia algo novo e maravilhoso, Também sentia uma necessidade de sair correndo dali e se esconder nos braços de sua avó, com medo de não ser a garota certa ou de não está no padrão daquele menino a quem direcionava todos os seus olhares.
       Ela queria se aproximar, queria saber do que ele gostava, do que ele fazia, de como ele passava o seu tempo livre; se gostava das mesmas músicas que ela, se gostava de violão ou até mesmo de livros... Mas a maldita insegurança sempre ofuscava o caminho para a sua felicidade. No entanto ela não conseguia desistir, pois apesar das suas incertezas, sabia, no fundo, que algo também se transformava no coração daquele jovem rapaz.
       Maria Valentina, como não conseguia mudar a situação, esperava que um dia Miguel - o motivo de tantas aflições – atendesse suas preces e resolvesse agir. Mas nada mudou. Passaram-se uma, duas, três semanas. E as dúvidas tomavam sua cabeça, os pensamentos negativos dominavam sua mente e seu coração transbordava de angustias, enquanto o medo não deixava que ela se livrasse desses sentimentos corrosivos.
       Sem saber o que fazer, decidiu que ia esquecer essa história, ia seguir sua vida e colocaria um ponto final nesse conto de fadas sem final feliz. E com isso Maria Valentina deixou de ir a lugares que antes gostava de freqüentar, não se divertia mais, e até sua melhor amiga, Isadora, ela deixou de lado. Dessa forma ela foi levando a vida.
       Bem, isso foi até o dia em que a Sra. Elizabete lhe pediu que fosse à cidade para trazer algumas coisas que estavam faltando em casa. Maria Valentina pensou que já havia se curado daquela decepção que sofrera por causa de suas dúvidas e de seus medos. Contudo, estava erroneamente enganada; e ao passar pela ruazinha acabou se deparando, mais uma vez, com aquele menino de cabelos castanho-claros que causava reboliço em seus sentimentos mais profundos. Naquele instante o mundo parou e seus olhos só enxergavam aqueles olhos arregalados e aquele sorriso disparado em sua direção. Seu coração ficou altamente acelerado, e sem pensar em suas incertezas passada, retribuiu com um sorriso ainda mais radiante e um oi desajeitado e rouco.
       Naquele momento, um oi foi o máximo que conseguiu dizer, mas foi o bastante para ela perceber que desistir não era a melhor opção. Então decidiu que não abandonaria sua felicidade numa viela qualquer, pois ela viu nos olhos de Miguel que ele sofria do mesmo mal que atormentava suas noites: o medo.


--- Gabriela

2 comentários:

maria lice disse...

Adorei esse texto,muito bom.continuem colocando textos impecáveis assim.

Hey Gnomos disse...

Obrigada... *-*